domingo, 8 de janeiro de 2017

A ARTE A COMPAIXÃO E A ASCESE








Me referi  em um post anterior sobre a experiência que tive ao ler Schopenhauer pela primeira vez. O mundo como Vontade e representação me deixou um vazio no estômago. Era muito jovem, estava bastante confuso, procurava respostas que a religião não me dera. A sensação foi muito ruim ,abandonei totalmente o filósofo, entendendo ser muito negativo.
Anos depois, mais estruturado, fortalecido pelas vivências retornei a mesma leitura  e posso dizer que não me arrependi.
Schopenhauer , apesar de sua extrema crueza, de mostrar a vida como ela é, e isso nos incomoda, porque muitas vezes somos criados a enxergar um mundo possível, repleto de ideologias e fantasias e de repente como um soco no estômago somos apresentados para um outro mundo, também possível e sinceramente bem mais real, do que antes criamos, apresenta também soluções, ou saídas.
O mundo é Vontade, não a boa vontade de Kant, mas uma Vontade cega, que anseia por viver, por subsistir, mesmo entendendo que esse existir provoca na maioria das vezes intenso sofrimento. E essa ânsia por existir por ter a precedência está embutida em cada ser, em cada inseto, bactéria, vírus, plantas, animais e seres humanos. É o conatos de Espinosa, essa sede por se afirmar que toda a vida tem. Esse mundo também é representação, e isso ele empresta de Kant, ou seja, só podemos ver o fenômeno , o que nossos sentidos nos trazem e jamais a coisa em si.
Sendo cega, entende-se que não existe um objetivo na Vida, não há uma teleologia, um propósito, tudo acontece como um grande turbilhão que nos arrasta de um lado a outro da existência.
Confesso, que apesar de reconhecer que existem algumas ilhas, onde aparentemente permanece uma certa ordem, racionalidade, na maioria esse mundo é uma grande confusão, um entrelaçamento de desejos, anseios, de ódios, invejas, amores, enfim é como se tudo estivesse misturado em um grande caleidóscopio e nós estamos dentro disso tudo, sendo arrastados, tendo na Razão, apenas uma tênue força para resistir.
Podemos afirmar, sem medo de errar que Schopenhauer fotografa muito bem o que é a existência e em uma primeira leitura, é claro que nos abateremos com essa realidade nua e crua. Mas conforme vamos lendo seu livro, percebemos que o autor tem uma ideia de como seria possível, sair dessa corrente impiedosa.
Essa porta , ou essas portas seriam três: A ascese, através da limitação de nossos desejos, conceito que adquiriu de suas leituras do Budismo, conseguiríamos enfraquecer a força da Vontade dentro de nós. A arte, principalmente a Música que transcenderia esse mundo e nos traria assim a libertação dele, e por fim a ética da compaixão, que diferente de Kant com seu dever e imperativo categórico, enxergaria a dor, as vicissitudes de cada ser humano se compadecendo dele, o que quebraria a força do egoismo próprio da Vontade. 

UM NOVO HOMEM

UM NOVO HOMEM!










 Por muito tempo tive  curiosidade em ler Nietzsche, afinal sempre foi um filósofo aclamado por suas contestações, sua maneira ácida de criticar a filosofia e principalmente a religião. E como aos 20 anos eu vivia uma crise religiosa, comecei a ler alguns trechos do filósofo. Se bem, que antes de Nietzsche eu me deparei com Schopenhauer lendo seu livro mais famoso O mundo como Vontade e Representação. A filosofia dele era interessante, mas como já tinha lido algo a respeito a achei extremamente pessimista, e entendi muito pouco realmente o que ele queria passar. Só muitos anos mais tarde, voltei ao assunto e compreendi coisas que na época não atentei.
Nietzsche não foi diferente, antes de começar a ler seus escritos ouvia falar de seu extremo niilismo, de sua crítica ácida contra o Cristianismo. E assim, já iniciei sua leitura por um viés negativo, e confesso que bem pouco tempo ainda via o filósofo como "perigoso" , ou seja, que as pessoas não poderiam ler suas ideias sem uma boa estrutura psicológica.
No entanto,  meses atrás me deparei com alguns vídeos no Youtube de uma filosofa da Usp Scarlett Merton, e nesses vídeos a Professora da Usp delineia um Nietzsche bem diferente, enxergando suas ideias por uma outra perspectiva. Confesso que a partir daí, passei a olhar com outros olhos a maneira de pensar do mesmo.
Então Nietzsche não era apenas uma dinamite, um martelador e destruidor de ídolos , conceitos e valores... ele também tinha uma proposta diante do caos que era esse mundo. Afinal, quebrar, destruir, é fácil... difícil é propor soluções, colar o que está quebrado.
O filósofo em seus escritos procura através do método genealógico entender de onde surgem os valores bom e mau. Percebe ao estudar as diversas culturas humanas, que o valor Bom é próprio dos nobres senhores, significando Força, coragem, potência.... por outro lado mau, seria o contrário: a fraqueza, a falta de potência de agir, próprio dos escravos.
Já na ideia dos escravos, Bom, era o humilde, o fraco, o frágil e assim eram os escravos, e mau eram aqueles fortes, impiedosos senhores que queriam destrui-los.
Dessa maneira Nietzsche entende que os valores não foram criados por um Deus, mas por pessoas comuns, e que assim poderiam ser recriados.
Por isso entende é preciso trans valorar, criar novos valores que tragam em seu bojo um novo Homem. É ai que se cristaliza sua ideia de Super Homem, não um super herói como nas histórias em quadrinhos, com poderes sobrenaturais, mas um homem comum, mas nobre, aristocrático, Forte, corajoso, que não traga em si as deformidades dos valores ocidentais que por conta de algumas filosofias como o platonismo, Sócrates e depois o Cristianismo corromperam essa Força no Homem.
É por isso a crítica feroz que ele faz contra o platonismo, contra Sócrates e principalmente contra o Cristianismo.
Para ele, Platão ao criar dois mundos e privilegiar o mundo das ideias em relação ao mundo dos sentidos, nega a Vida como ela é. Assim também Sócrates com a subjetividade humana, com os valores morais e principalmente a vertente cristã, o platonismo dos pobres, que ao enaltecer o fraco, o humilde, o perdedor e escravo subverte o verdadeiro valor da vida.
Era preciso pois mudar tudo isso, era preciso resgatar o homem do escombro dessas filosofias e essa era a missão dele.
Assim, determinado os motivos que levam a sociedade ocidental ao declínio, o filósofo propõem que pensemos  em outros moldes, criando um novo ser humano. E esse seria o Ubermensch, o Super Homem, o homem que cria seus próprios valores, valores alicerçados na Vida, nessa vida do aqui e agora. Junto com a ideia de Super Homem Nietzsche também agrega o sentido do amor fati, ou seja de que é preciso abraçar essa vida aqui que estamos a viver, em todos o seu alcance, em seus bons e maus momentos, na sua grandiosidade e na sua tragédia. Podemos também citar a Vontade de potência essa ideia que ensina que existe uma intensa luta, em tudo na Natureza, desde o nível maior até o mais ínfimo. Até mesmo, dentro de nós, cada célula luta , compete com as outras para sobreviver, para ter a precedência. A teoria de forças de Nietzsche pressupõem que somos formados por conjuntos de instintos, módulos, e que a cada minuto esses módulos se sobrepõem, numa intensa luta por se afirmar.
É claro que não podemos esquecer do Eterno retorno, que poderíamos concluir que criam a ética do comportamento da filosofia do autor. Eterno retorno seria viver, na consciência de que tudo voltaria a se repetir, coisas boas e coisas ruis, momentos maravilhosos e tragédias. Se assim for, e estou consciente disso, preciso fazer a cada minuto o melhor de mim mesmo, pois sei que invariavelmente eu mesmo sou responsável por tudo que irei repetir eternamente.
Assim, o filósofo propõem um novo mundo, uma nova sociedade através de pessoas maduras, fortes, que criem valores fortes e assim sustentem o mundo e a sociedade. Com esses novos valores que darão ênfase a Vida aqui e agora é possível então abraçar as contingências, as certezas e tudo que vier, vivendo de forma responsável entendendo que tudo o que  acontecer e  se repetir foi fruto de minha consciência, de minhas escolhas e de minhas atitudes!

O MELHOR DE TODOS OS MUNDOS













Algo inegável se coloca diante de nossos olhos: O mundo em que vivemos é extremamente complexo e exige de nós uma profunda reflexão. Embora possamos perceber que existem , nessa vida, situações maravilhosas, que mesmo sem dinheiro, podemos usufruir, como por exemplo admirar um belo por do sol, brincar com uma criança, estar diante do mar, na Natureza selvagem, olhar e sentir oa beleza e perfume das flores, ter bons amigos, enfim, a vida , as vezes é encantadora. No entanto, por trás desse encanto, subjaz um mundo cheio e repleto de violência, extrema competição, vinganças, homicídios, inveja, pobreza, morte.... Talvez, se fossemos colocar na balança, o mal, infelizmente estaria ganhando.
Fomos criados, pelo menos a maioria de todos nós, dentro de uma visão de mundo cristã, onde sabemos desde tenra idade que Deus, sendo Bom e perfeito, sempre quer o melhor para nós. 
Mas como conciliar essa ideia infantil, diante da situação em que estamos na atualidade, em que o mundo parece se dissolver diante de tantas vicissitudes, em que valores até então profundos foram sendo relativizados e deixados para trás?
Muitas são as explicações, talvez a mais plausível seja a de que, embora Deus seja perfeito e Bom e queira sempre o melhor para nós, deixou-nos com a liberdade de escolha, o famoso livre arbítrio. O mau uso desse livre arbítrio teria ocasionado as distorções que vemos em nosso Planeta.
Igualmente temos também uma ideia interessante de Leibniz filósofo e matemático que em seus escritos diz que Deus é bom e que dentro de todas as possibilidades que Ele como Deus onisciente, tinha diante de si, criou o MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS.
Voltaire , outro filósofo, menos otimista e mais cético, satirizou essa ideia , em seu livro Cândido, onde conta as desventuras de  um rapaz ingênuo acompanhado de um amigo filósofo Panglós que , assim como LEIBNIZ, repetia ao jovem " Apesar de todas as dificuldades que passamos, veja pelo lado bom, estamos no MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS. 
Sinceramente, não vejo com conciliar a questão da imperfeição do mundo, com a Bondade de Deus. Pela crença , posso até acreditar que Ele sabe todas as coisas e que existe um sentido em tudo de mal que acontece, mas logicamente tais argumentos não me convencem, parecendo incompletos. 
Mas a vida segue, e o que devemos fazer, na minha maneira de entender é sempre buscar experiências positivas que minimizem os sofrimentos desse mundo de sombras!!!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

QUEM PENSA EM NÓS?









Fomos acostumados desde tenra idade, a acreditar que somos uma identidade, um Eu. Ainda crianças, dependentes inteiramente de nossos pais, seres indefinidos, seríamos assim como extensões de nosso ambiente. 
O tempo vai passando e nos ensinam que temos um nome, pais, uma casa, um corpo , falamos e pensamos. Desse modo, cria-se pouco a pouco a noção de um Self que está em alguma parte de nosso cérebro.
Importante, no entanto lembrar, que já fomos muitos eus, afinal não existe mais aquela criança inocente que vivia para brincar, nem mesmo aquele adolescente cheio de sonhos e conflitos. Hoje nos tornamos adultos com responsabilidades, que entendem ser necessário constituir relações familiares, com amigos , enfim com a sociedade.
Diante disso, poderia perguntar: Se existe um Eu, onde ele estaria?
As religiões defendem que o ser humano é imortal, posto que tem uma alma, e essa alma seria o conceito que em psicologia conhecemos como Eu, e é exatamente essa alma e esse eu que passaria para o Além, ou seja qual for o lugar que habitaríamos
Posta essa observação, e diante das percepções que temos todos os dias, imaginemos que nossa alma , ou Eu, ou espírito, habite o nosso cérebro, visto que conseguimos pensar, refletir de maneira subjetiva, como se houvessem vozes dentro da nossa cabeça
Uma reflexão interessante foi proposta pelo neurologista Sam Harris, autor de um livro chamado Despertar.
Nele, o autor argumenta que existem situações em que é necessário fazer uma operação, principalmente em crianças que sofrem de epilepsia,onde os hemisférios cerebrais são desconectados. Acredito que todos sabem que nossos hemisférios cerebrais, o esquerdo e direito, tem funções específicas, trabalham em paralelo, mas também individualmente. O lado direito comanda o lado esquerdo do corpo e está ligado as emoções, a arte, a espiritualidade, enfim é o que nos torna humanos. Já o lado esquerdo, que comanda o lado direito do corpo, é analítico, racional, ligado a códigos, Matemática e principalmente responsável pela linguagem humana.
Ao separarem os hemisférios os médicos perceberam que o cérebro consegue trabalhar normalmente, pois há uma compensação em cada hemisfério em relação ao outro. No entanto o mais curioso nessa divisão cerebral, é que aparentemente cada hemisfério pensa de forma independente  Em outras palavras, existe autonomia em cada um deles. Isso levanta questões filosóficas, morais e religiosas muito interessantes e complica a resposta a pergunta que fiz acima : Onde está nossa alma dentro de nós?
Se respondermos que ela está no cérebro, então eu diria: Mas em qual hemisfério? Supostamente alguns  falariam que seria no esquerdo pois ele conseguiria verbalizar através da linguagem , no entanto  a pesquisa com o cérebro dividido mostra que o hemisfério direito, mudo, consegue através dos gestos comunicar seus desejos e pensamentos. A questão religiosa ficaria mais instigadora. Pelo víes cristão a alma que aceita Jesus será conduzida ao Paraíso, enquanto aquelas rebeldes irão para o Inferno. Mas diante, da pesquisa dos neurologistas, poderia acontecer, de que, o hemisfério esquerdo aceitasse a Cristo, mas o lado direito não concordasse. Como julgar moralmente que parte de nós decidiria? Qual delas iria para o céu ou para o inferno? É claro, que isso torna inviável  essas noções e aponta outros caminhos de pesquisa e reflexões! 

domingo, 4 de dezembro de 2016

NOVAS FORMAS DE MUDANÇA









Não nascemos prontos, mas no processo da vida, através dos acontecimentos e das escolhas que fazemos, vamos configurando nossa existência.
Igualmente não nascemos cristãos, nem muçulmanos, nem budistas... todas essas ideias são, aos poucos incutidas em nós por pais, amigos e professores.
Me lembro que até uns dez anos não torcia para nenhum time de futebol, até que um amigo , que  me identificava, veio brincar certo dia com uma camisa do Palmeiras. Foi o suficiente para a partir daquele momento me tornar um palmeirense. Hoje, ainda torço pelo time, acompanho o campeonato e muitas vezes defendo com paixão suas cores. Mas, as vezes fico imaginando, que  é uma bobagem, tomar para si uma ideia que não foi necessariamente uma escolha consciente, mas uma associação entre afinidades e emoções em relação a uma amizade.
Pertinente a religião, a família era católica, com um pé no Espiritismo. Diziam até que meu pai, que morrera prematuramente, deveria ter desenvolvido a mediunidade, e que como não o fez, foi precocemente recolhido para o Além.
Apesar de católico por tradição, dificilmente ia a Igreja, aliás nunca vi minha familia participando da Igreja.
Mas aconteceu algo muito forte, uma tragédia que modificou minha maneira de pensar a fé e a religião.
Em 1982, morava em Votorantim, interior de São Paulo, próximo a Sorocaba. Era um adolescente cheio de conflitos, de temores e incertezas... Éramos pobres, vivíamos de aluguel e ganhávamos pouco. O clima na família era desestruturado após a morte de meu pai, e pouco a pouco alguns irmãos foram casando e decididos a cuidar de suas vidas e ficamos no final 3 irmãos minha mãe e eu, de uma família de oito pessoas.
Assim, dentro de toda essa situação em fevereiro daquele ano, ocorreu uma tromba d'água na cidade e de repente, me vi sem casa para morar, sem roupas sem minha coleção de gibis que eu adorava, e até mesmo sem documentos. Em menos de meia hora as águas tinham levado tudo. Além das coisas materiais, foram rio abaixo sonhos, minhas esperanças e ideais Confesso que fiquei em depressão. Tinha então 17 anos.
Foi diante desse terrível acontecimento que me tornei protestante e assim comecei um novo período em minha vida, marcado por muita alegria no começo, onde tudo era novo, onde recebi atenção, carinho, acolhimento, mas que pouco a pouco foi se diluindo e tudo se transformou novamente em uma grande confusão e sofrimento.. 
Com o passar dos anos fui percebendo que minha "conversão" não passara de uma experiência emocional, embora em alguns momentos reconheço houve "eventos" que poderia acreditar que foram espirituais.
Mas em essência percebia, que pouco havia mudado de verdade. Isso porque mesmo sem ir a Igreja protestante, sempre fui um jovem sem vícios, introvertido, com pouca experiência de mundo, ou seja o Cristianismo pouco mudou em mim, porque em questão de vícios, vida permissiva, e afins eu simplesmente nunca pratiquei.
Aos 20 anos despertou uma curiosidade pela leitura, pelo conhecimento, e isso em todos os níveis. Lia psicologia, esoterismo, filosofia, e toda sorte de literatura. Começou a crise religiosa que se intensificou nos anos seguintes.
Percebo então que mudei superficialmente, e essa mudança teve um motivo externo: No meu caso, a enchente que me levou a uma depressão. 
Krisnamurth, ao qual eu me identifico muito, ensina que o ser humano normalmente muda por conta das coisas ruins ou extremas que lhe acontecem em vida. O fim de um relacionamento, a perda de um ente querido, a falência financeira, entre tantos dissabores. Mas todas essas mudanças ocorrem por conta de acontecimentos exteriores, ou seja, de fora para dentro.
Em suas mensagens ele deixa bem claro que essas transformações são superficiais, que a verdadeira mutação deve ocorrer de dentro para fora.
E como ocorrem essas mutações? Na ideia dele, quando passamos a perceber tudo ao nosso redor, coisas simples como a maneira como agimos, falamos, nos comportamos, a forma como nossos pensamentos passam pela nossa mente, nossos sentimentos e emoções, a maneira como trato minha esposa, meus filhos, meu chefe, meus amigos... enfim todas essas nuances... quando eu começo a perceber tudo isso, todo esse imenso fluxo do que é viver, então eu resgato uma energia preciosa que estava sendo gasta em um viver condicionado. Essa imensa energia que todos nós temos, mas é dissipada pelo conflito, pela maneira condicionada que vivemos , quando ela se reorganiza e se torna acessível ao cérebro, então ocorre uma grande mutação, de dentro para fora, a verdadeira transformação.
Portanto, acredito que todas essas experiências que temos como a religião, os acontecimentos bons ou ruins que nos ocorrem, são importantes, mas insuficientes para uma mudança. Ela precisa vir de dentro, e assim influenciar todo o nosso entorno! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A IGNORÃNCIA E O MAL!

O Cristianismo ensina que o mal é algo externo a nós, que não é em si um mal absoluto, enraizado radicalmente na existência, mas produto de um ato criador que se desfigurou e enveredou por outros caminhos.
Lúcifer foi uma experiência que não deu certo do ponto de vista da Criação... Mas afinal, nem o ser humano parece ter dado certo.
O Budismo, em meu modo de ver é mais coerente, porque ensina que a origem do mal não é externa , não existe um ser que engendre em nós o desejo de errar. O erro nasce de dentro , de nossa incapacidade em perceber nuances, em fazer julgamentos, em conhecer. O mal é a ignorância Pensando por esse prisma, o mal nem existe, não existem pessoas más, todos são bons, mas a ignorância nos torna maus. Mas a ignorância em si não é um mal metafísico, mas uma falha do processo de perceber, pensar e refletir. Portanto quando eu me empenho em compreender o mundo ao meu redor, buscando coerência, seguindo um modelo evolutivo, me capacito a vivenciar outros valores e insights. 
Portanto, acredito que precisamos de bons modelos, e quando falo bom, não estou me referindo especificamente a questões morais, mas a referências que me conduzam a uma evolução de pensamento. Quando um artista pinta um quadro, ele busca referências, dentro de sua Cultura, da Natureza ou em seu espírito para criar uma obra que produza esclarecimento nas pessoas. 
Assim, em meu modo de perceber o mundo entendo que precisamos elencar referências positivas constituídas em si de valores que construam uma civilização que reflita, que busque perceber a Vida de diversas maneiras, com uma qualidade em seus modelos.
O que temos percebido na atualidade é que se perderam referências, modelos evolutivos , que foram substituídos por subjetividades, por gostos duvidosos, por uma democracia ( não apenas no sentido político) que permite que tudo seja considerado verdadeiro, belo e bom!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FAZENDO O MELHOR DE CADA MOMENTO






Estamos acostumados a viver em um mundo onde fazemos escolhas e através dessas escolhas procuramos vivenciar os nossos momentos, e de preferência que sejam bons momentos. Afinal, somos sete bilhões de pessoas no mundo, e se existe algo que a maioria persegue é a ideia da felicidade.
Mas é claro, que todos sabem que não é fácil fazer escolhas, que nos levem sempre a viver bons momentos.
A vida é difícil , está cheia de contingências e acasos, que estão muito além da nossa racionalidade. Podemos até tentar prever as incertezas que virão , mas sempre ficarão variáveis impossíveis de serem percebidas. Quem sabe se tivéssemos um computador quântico conseguiríamos equacionar todas as possibilidades e fazer as melhores escolhas e assim viver as melhores situações?
Nietzsche filósofo que "martelou" a maioria dos valores morais da civilização ocidental fez uma provocação interessante: Pelo seu conceito de eterno retorno, sendo o Universo finito e fechado, e sendo o tempo infinito, viveríamos as mesmas situações, as escolhas,  e possibilidades  eternamente.
Talvez alguns de nós desavisados ficaríamos felizes , porque então poderíamos escolher nossos momentos mais intensos e eterniza-los em nossa vida... mas esperem ... o filósofo do martelo  propõem que além de eternizarmos os momentos mais felizes e intensos, também no pacote, abraçássemos nossos piores momentos, nossas mediocridades, nossa pequenez e a isso chama de amor fati, amor pela vida como ela é , com seus altos e baixos.
Posso inferir a partir desses postuladoss que existe uma ética profunda nessa maneira de ver o mundo, pois ao compreender que tudo se repetirá indefinidamente diante do tempo, em cada atitude, em cada escolha, preciso fazer o melhor, ir em busca da excelência em cada gesto,  palavra,  e prática, afinal conviverei com isso eternamente.