domingo, 4 de dezembro de 2016

NOVAS FORMAS DE MUDANÇA









Não nascemos prontos, mas no processo da vida, através dos acontecimentos e das escolhas que fazemos, vamos configurando nossa existência.
Igualmente não nascemos cristãos, nem muçulmanos, nem budistas... todas essas ideias são, aos poucos incutidas em nós por pais, amigos e professores.
Me lembro que até uns dez anos não torcia para nenhum time de futebol, até que um amigo , que  me identificava, veio brincar certo dia com uma camisa do Palmeiras. Foi o suficiente para a partir daquele momento me tornar um palmeirense. Hoje, ainda torço pelo time, acompanho o campeonato e muitas vezes defendo com paixão suas cores. Mas, as vezes fico imaginando, que  é uma bobagem, tomar para si uma ideia que não foi necessariamente uma escolha consciente, mas uma associação entre afinidades e emoções em relação a uma amizade.
Pertinente a religião, a família era católica, com um pé no Espiritismo. Diziam até que meu pai, que morrera prematuramente, deveria ter desenvolvido a mediunidade, e que como não o fez, foi precocemente recolhido para o Além.
Apesar de católico por tradição, dificilmente ia a Igreja, aliás nunca vi minha familia participando da Igreja.
Mas aconteceu algo muito forte, uma tragédia que modificou minha maneira de pensar a fé e a religião.
Em 1982, morava em Votorantim, interior de São Paulo, próximo a Sorocaba. Era um adolescente cheio de conflitos, de temores e incertezas... Éramos pobres, vivíamos de aluguel e ganhávamos pouco. O clima na família era desestruturado após a morte de meu pai, e pouco a pouco alguns irmãos foram casando e decididos a cuidar de suas vidas e ficamos no final 3 irmãos minha mãe e eu, de uma família de oito pessoas.
Assim, dentro de toda essa situação em fevereiro daquele ano, ocorreu uma tromba d'água na cidade e de repente, me vi sem casa para morar, sem roupas sem minha coleção de gibis que eu adorava, e até mesmo sem documentos. Em menos de meia hora as águas tinham levado tudo. Além das coisas materiais, foram rio abaixo sonhos, minhas esperanças e ideais Confesso que fiquei em depressão. Tinha então 17 anos.
Foi diante desse terrível acontecimento que me tornei protestante e assim comecei um novo período em minha vida, marcado por muita alegria no começo, onde tudo era novo, onde recebi atenção, carinho, acolhimento, mas que pouco a pouco foi se diluindo e tudo se transformou novamente em uma grande confusão e sofrimento.. 
Com o passar dos anos fui percebendo que minha "conversão" não passara de uma experiência emocional, embora em alguns momentos reconheço houve "eventos" que poderia acreditar que foram espirituais.
Mas em essência percebia, que pouco havia mudado de verdade. Isso porque mesmo sem ir a Igreja protestante, sempre fui um jovem sem vícios, introvertido, com pouca experiência de mundo, ou seja o Cristianismo pouco mudou em mim, porque em questão de vícios, vida permissiva, e afins eu simplesmente nunca pratiquei.
Aos 20 anos despertou uma curiosidade pela leitura, pelo conhecimento, e isso em todos os níveis. Lia psicologia, esoterismo, filosofia, e toda sorte de literatura. Começou a crise religiosa que se intensificou nos anos seguintes.
Percebo então que mudei superficialmente, e essa mudança teve um motivo externo: No meu caso, a enchente que me levou a uma depressão. 
Krisnamurth, ao qual eu me identifico muito, ensina que o ser humano normalmente muda por conta das coisas ruins ou extremas que lhe acontecem em vida. O fim de um relacionamento, a perda de um ente querido, a falência financeira, entre tantos dissabores. Mas todas essas mudanças ocorrem por conta de acontecimentos exteriores, ou seja, de fora para dentro.
Em suas mensagens ele deixa bem claro que essas transformações são superficiais, que a verdadeira mutação deve ocorrer de dentro para fora.
E como ocorrem essas mutações? Na ideia dele, quando passamos a perceber tudo ao nosso redor, coisas simples como a maneira como agimos, falamos, nos comportamos, a forma como nossos pensamentos passam pela nossa mente, nossos sentimentos e emoções, a maneira como trato minha esposa, meus filhos, meu chefe, meus amigos... enfim todas essas nuances... quando eu começo a perceber tudo isso, todo esse imenso fluxo do que é viver, então eu resgato uma energia preciosa que estava sendo gasta em um viver condicionado. Essa imensa energia que todos nós temos, mas é dissipada pelo conflito, pela maneira condicionada que vivemos , quando ela se reorganiza e se torna acessível ao cérebro, então ocorre uma grande mutação, de dentro para fora, a verdadeira transformação.
Portanto, acredito que todas essas experiências que temos como a religião, os acontecimentos bons ou ruins que nos ocorrem, são importantes, mas insuficientes para uma mudança. Ela precisa vir de dentro, e assim influenciar todo o nosso entorno! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A IGNORÃNCIA E O MAL!

O Cristianismo ensina que o mal é algo externo a nós, que não é em si um mal absoluto, enraizado radicalmente na existência, mas produto de um ato criador que se desfigurou e enveredou por outros caminhos.
Lúcifer foi uma experiência que não deu certo do ponto de vista da Criação... Mas afinal, nem o ser humano parece ter dado certo.
O Budismo, em meu modo de ver é mais coerente, porque ensina que a origem do mal não é externa , não existe um ser que engendre em nós o desejo de errar. O erro nasce de dentro , de nossa incapacidade em perceber nuances, em fazer julgamentos, em conhecer. O mal é a ignorância Pensando por esse prisma, o mal nem existe, não existem pessoas más, todos são bons, mas a ignorância nos torna maus. Mas a ignorância em si não é um mal metafísico, mas uma falha do processo de perceber, pensar e refletir. Portanto quando eu me empenho em compreender o mundo ao meu redor, buscando coerência, seguindo um modelo evolutivo, me capacito a vivenciar outros valores e insights. 
Portanto, acredito que precisamos de bons modelos, e quando falo bom, não estou me referindo especificamente a questões morais, mas a referências que me conduzam a uma evolução de pensamento. Quando um artista pinta um quadro, ele busca referências, dentro de sua Cultura, da Natureza ou em seu espírito para criar uma obra que produza esclarecimento nas pessoas. 
Assim, em meu modo de perceber o mundo entendo que precisamos elencar referências positivas constituídas em si de valores que construam uma civilização que reflita, que busque perceber a Vida de diversas maneiras, com uma qualidade em seus modelos.
O que temos percebido na atualidade é que se perderam referências, modelos evolutivos , que foram substituídos por subjetividades, por gostos duvidosos, por uma democracia ( não apenas no sentido político) que permite que tudo seja considerado verdadeiro, belo e bom!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FAZENDO O MELHOR DE CADA MOMENTO






Estamos acostumados a viver em um mundo onde fazemos escolhas e através dessas escolhas procuramos vivenciar os nossos momentos, e de preferência que sejam bons momentos. Afinal, somos sete bilhões de pessoas no mundo, e se existe algo que a maioria persegue é a ideia da felicidade.
Mas é claro, que todos sabem que não é fácil fazer escolhas, que nos levem sempre a viver bons momentos.
A vida é difícil , está cheia de contingências e acasos, que estão muito além da nossa racionalidade. Podemos até tentar prever as incertezas que virão , mas sempre ficarão variáveis impossíveis de serem percebidas. Quem sabe se tivéssemos um computador quântico conseguiríamos equacionar todas as possibilidades e fazer as melhores escolhas e assim viver as melhores situações?
Nietzsche filósofo que "martelou" a maioria dos valores morais da civilização ocidental fez uma provocação interessante: Pelo seu conceito de eterno retorno, sendo o Universo finito e fechado, e sendo o tempo infinito, viveríamos as mesmas situações, as escolhas,  e possibilidades  eternamente.
Talvez alguns de nós desavisados ficaríamos felizes , porque então poderíamos escolher nossos momentos mais intensos e eterniza-los em nossa vida... mas esperem ... o filósofo do martelo  propõem que além de eternizarmos os momentos mais felizes e intensos, também no pacote, abraçássemos nossos piores momentos, nossas mediocridades, nossa pequenez e a isso chama de amor fati, amor pela vida como ela é , com seus altos e baixos.
Posso inferir a partir desses postuladoss que existe uma ética profunda nessa maneira de ver o mundo, pois ao compreender que tudo se repetirá indefinidamente diante do tempo, em cada atitude, em cada escolha, preciso fazer o melhor, ir em busca da excelência em cada gesto,  palavra,  e prática, afinal conviverei com isso eternamente.

terça-feira, 7 de junho de 2016

PENSAR DÓI




Terminei meus estudos do Ensino Médio em 1992, na Escola LICEU PEDRO II em Sorocaba , SP, pois infelizmente , por alguns problemas pessoais, parei de estudar no primeiro ano 
colegial, quando morava em Votorantim, e provavelmente isso ocorreu, se não me falha a memória por dois motivos:
O primeiro deles pelo fato que no ano de 1982, tivemos uma tromba d!água na cidade , e com isso a situação da minha família ficou complicada , situação que nos levou a mudar do bairro com medo de novas enchentes.
 O outro motivo, um pouco melhor, aconteceu de naquele momento de aflição e tristeza e muitas incertezas, eu comecei a frequentar a Igreja do Missionário, Cruzada Nacional da Evangelização e hoje conhecida como Igreja do Evangelho Quadrangular. 
Certamente os dois motivos não eram suficientes para que eu tivesse tomado aquela atitude de parar de estudar, creio que faltou   uma posição mais forte de minha família, que nessa época já era constituída apenas de minha mãe e mais três irmãs.
Depois de muitos anos voltei, em escolas estaduais, mas tinha grande dificuldade em acompanhar as aulas, que reconhecia serem maçantes.
Resolvi, portanto, para tentar recuperar um pouco do tempo perdido fazer supletivo e em um ano e meio consegui a aprovação.
Conheci nas aulas, um aluno com o nome de Renato, e acredito que ele deveria usar  maconha, não sei exatamente, mas  destoava dos demais, por comportamentos e algumas colocações que fazia.
Uma delas, toda vez que o Professor falava para estudar ele dizia: Pensar dói. 
Era, de fato, uma frase que achávamos engraçado e ríamos.
Hoje, passados mais de 20 anos do ocorrido, recordo-me do episódio e constato que de fato o Renato estava com a razão.
Pensar dói.  E essa dor é causado porque para pensar preciso movimentar as minhas ideias, dissolver algumas, colocar outras em choque, entrar em contradição comigo mesmo, reconhecer que estava errado.... Tudo isso fere o ego.
 Neal Gabler, da Universidade do Sul da Carolina escreveu um texto no New York Times, onde aponta a mesma situação:  pessoas não estão pensando, mas simplesmente colhendo informações e repassando-as para se manterem a  tona, para se sentirem importantes dentro do seu circulo de influências. Com o advento das redes sociais isso se intensificou e hoje temos uma imensa quantidade de informação, não sendo mais possível um processamento adequado.
Já não existem tantas ideias revolucionárias  que mudam o mundo como Freud, Einstein e Marx, porque segundo o autor, o sistema capitalista aposta apenas em propostas que gerem lucro descartando as demais. .
E todos nós, em geral estamos engessados no conforto do senso comum, de evitar raciocínios mais elaborados. 
As vezes fico até a pensar que a capacidade mental da sociedade está diminuindo, não na questão genética, mas culturalmente, nas escolas, nas Universidades, onde parece existir pouco debate, e cada vez mais certezas e ideias prontas.
Certamente que debate no País é algo quase inexistente, que os diálogos que Platão nos ensinou na prática em sua filosofia, pouco sejam conhecidos, porque na maioria das vezes o que vemos são discussões acaloradas onde cada um procura com técnicas de oratória, com persuasão, invalidar o outro. Não o argumento de seu adversário, suas ideias, mas exatamente a moral, o caráter a capacidade que o antagonista teria para ter aquele pensamento.
E tais situações vão se refletindo dentro das demais instituições e vão empobrecendo o conhecimento.
De fato meu amigo Renato, até mesmo sem querer , conseguiu expressar uma grande verdade PENSAR DÓI!!!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

MUDANÇA OU TRANSFORMAÇÃO?


A maioria de nós já ouviu a metáfora da lagarta que depois de um longo processo se transforma em borboleta, e certamente isso fala muito conosco, pois dá uma dimensão clara do que significa mudança.
Mas o que seria mudança? Nesse caso específico seria mudança de forma, ou seja, uma lagarta que a principio nos dá uma certa repugnância pelo seu aspecto, pouco a pouco vai deixando aquela aparência rústica e nos encanta com a leveza das asas da borboleta.
De um aspecto   indesejável a  uma bela estética, de uma aparência pobre de recursos, para uma forma leve, radiosa, e geradora de sentidos e alegrias.
Também mudamos... e quantas mudanças já aconteceram em nossas vidas. Desde o nosso nascimento, ainda bebés, todo o nosso físico, e a nossa estrutura psicológica foram se adaptando e se formatando aos momentos pelos quais passamos.
Até que chegamos a fase adulta, onde aparentemente nos tornamos mais "sólidos", mais comprometidos com uma identidade que sentimos prazer em ostentar.
No entanto, há vida exige muito de nós, e em vários momentos é necessário que tomemos consciência que é preciso uma revolução.
Até que ponto essas transformações significam mudanças internas, ou  somos como a borboleta que mudou apenas de forma?
Quantas vezes mudamos de ideias, para apenas outras ideias, de crenças para outras crenças, de condicionamentos para novos condicionamentos.... Não há nesse processos um aprofundamento, insights que transformem nossa psiquê, e reformulem de verdade nosso interior.
Metanoia é outro principio grego que também se refere a mudança, mas não de forma, e sim psicológica, no nosso interior, de dentro para fora.
Particularmente sou uma pessoa que leio bastante, de vários estilos desde Psicologia a Filosofia e autoconhecimento. Percebo que detenho conhecimentos básicos em muitas áreas do saber , que me dão condição de conversar de maneira competente por diversos assuntos.
No entanto, quando durmo, tenho observado que a pessoa que habita nesses mundos noturnos, parece um adolescente, com carências,  modelos de pensar, maneiras de resolver questões, baseadas em um homem que não sou mais, embora sempre acreditei que o conhecimento que detive pudesse realmente ter me transformado.
Assim percebo, que apesar do verniz , apesar de um grande conhecimento, permaneço, no mais profundo da minha alma, com um núcleo muito inconstante , como se o eu que existe no sonho não foi alcançado pelos inúmeros  livros que  li enquanto eu consciente.
Me parece que a maioria de nós, apesar de tanta leitura, de a grande maioria ser cristão, ou mesmo professar outras filosofias, de tantos estudos e artigos sobre autoconhecimento, ainda continuamos com a alma intocada!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

UPGRADE









Quando  nos debruçamos sobre a História da humanidade vamos percebendo, que  paulatinamente  o ser humano foi buscando novas maneiras de apreender a realidade, de se relacionar com o meio de forma que pudesse sobreviver
De instrumentos rudimentares como uma faca de pedra, os homens foram inventando ferramentas de metais, que lhe deram uma condição mais avançada em relação aos outros seres vivos do Planeta, fazendo assim com que o Homo Sapiens viesse a se tornar o dominador da Natureza.
Igualmente com a Roda, com o fogo, com a invenção da Agricultura, e mais recentemente, tivemos a explosão do conhecimento tecnológico, mostrando que a mente humana parece não ter limites quando o assunto é o saber.
Paralelamente a toda essa evolução, observamos que psicologicamente continuamos vivendo a séculos atrás, e podemos usar como exemplo  dessa  verdade as idéias relacionadas ao racismo, a luta por crenças e pensamentos religiosos. Os nacionalismos, o egocentrismo , que se iniciaram há milênios, mas  parecem  estar se cristalizado na mente de milhões de pessoas.
Outro fator que demonstra essa paralisia existencial na psique humana é a dificuldade que as pessoas demonstram em relação as mudanças , situação que causa em grande parte da população mundial um desconforto e angústia profunda.
Podemos usar como analogia a informática; Há poucos anos , os computadores da Microsoft rodavam com o Windows 95 , depois 98 e assim sucessivamente até o Windows 10....  de maneira que há cada nova versão, a antiga perdia  atualizações necessárias para que continuasse sendo capaz de rodar todos os aplicativos. Sem atualizações os softwares se tornavam obsoletos e incapazes de acompanhar o desenvolvimento de programas  modernos.
Assim acontece com o nosso cérebro que como os computadores, precisa periodicamente  de novas atualizações, pois caso contrário, não conseguirá acompanhar as mudanças que estão acontecendo no mundo do trabalho, na sociedade, e em diversas instâncias do viver humano.
E essas atualizações acontecem quando lemos bons livros, e quando falo em bons quero dizer livros que nos levem a refletir, que vão contra aquilo que acreditamos, sem deixar de lado viagens por lugares que não conhecemos, assistir bons filmes, especialmente aqueles que não nos dão pistas sobre seu final, e também programas de televisão que valorizem a inteligência.

Fora disso, continuaremos sendo massa de manobra de políticas feitas apenas para alguns, sendo  apenas espectadores, barrados no grande Baile da Vida!!!

terça-feira, 31 de maio de 2016

O MAL É ONDE DEUS NÃO ESTÁ!











Talvez uma das situações mais difíceis  com que nos defrontamos desde que estamos nesse mundo é a questão do mal.
É  constrangedor ter que aceitar que se vivemos em um mundo criado por um Deus benevolente, Onipotente,  experimentamos tantas desventuras.
Epicuro ,  há séculos atrás se defrontou com essa situação e propôs o seguinte paradoxo
Ou Deus pode vencer o mal mas não quer, ou quer e não pode ou não pode e não quer ou pode e quer.
Então se quer e não pode, faltar-lhe-ia a onipotência, se no entanto não quer , mas pode então não existe nele bondade, se não pode e não quer perde-se  a noção da Divindade, mas se quer e se pode, então porque não o faz?
Assim, talvez um dos homens que deu uma resposta mais satisfatória, embora não ausente de falhas foi Santo Agostinho. Agostinho foi um dos primeiros grandes padres da Igreja, que junto com Tomas de Aquino desenvolveu a filosofia para ampliar a teologia.
A idéia do pensador era assim: Na verdade não existe o mal enquanto substância, mas apenas o mal moral e o mal natural. O mal moral é devido ao homem, pelo seu pecado original, pela sua  incapacidade em usar o livre arbítrio que Deus lhe deu , extrapolando os limites do mesmo e incorrendo em erro.  Em decorrência desses percalços aconteceriam todos os males naturais, como enchentes, terremotos e as mazelas que conhecemos dentro da Natureza.
 O mal no sentido metafísico , esse nunca existiu; o que na verdade ocorre é que na ausência do bem, na falta de Deus, surge o mal. É como uma aliança de ouro. No processo de composição da mesma, na sua confecção circular, sobra um espaço em branco um “buraco”. Na verdade, não existe uma substância buraco naquela aliança. O que falta na verdade é o ouro naquele espaço. De igual maneira, não existe o mal, mas apenas a ausência do bem, o que geraria a percepção negativa
Analisando o argumento outros filósofos viram falhas, como Baley, que dizia que embora se possa argumentar que Deus não é culpado pelo mal, da mesma maneira cabe nos lembrar que se foi Deus quem deu o livre arbítrio ao homem e se Deus sabia que esse homem iria extrapolar no uso desse conceito, então Ele de certa forma é culpado  do mal causado pelo homem.
Leibnis também procura modificar a questão da origem do mal.
Em sua idéia, a  Divindade criou o melhor dos mundos possíveis, querendo dizer com isso que ao gerar todas as possibilidades possíveis, o Eterno calculou matematicamente a melhor das situações em que nosso Planeta poderia  existir, e dentro dessas possibilidades teria colocado o mal como variável para equilibrar o sistema, sendo que l no final da equação  os malefícios serviriam para criar vantagem e não perda.
Ou seja, nós enxergamos algo como ruiml, porque vemos apenas em parte, não temos a visão do todo, como Deus, e esse tendo a visão do todo permite essa entropia porque sabe que ela vai colaborar com um Bem  maior no futuro.
Esse posicionamento de Leibniz é chamado de otimismo filosófico e também recebe críticas de Kant, de Voltaire e de Rosseau
Kant acredita, como agnóstico que é, que não existe possibilidade de compreendermos a maioria das questões metafísicas, portanto não há como falar sobre elas. Voltaire, usando como exemplo o terremoto ocorrido em Lisboa em 1775, sustenta  que, de que maneira iríamos argumentar com aquelas pessoas que tiveram seus parentes mortos,? Que de alguma maneira seriam beneficiadas com o ocorrido, que os cães e os vermes e os ratos iriam ser alimentados com o cadáver de seus queridos, que haveria emprego para pedreiros e arquitetos?.
Rosseau por outro lado exime Deus de qualquer culpa, dizendo que o homem é o responsável por tudo de negativo que acontece, porque rompeu com seu estado natural e através de atitudes a de alguns que se apropriaram  das riquezas e criaram as desigualdades  que trouxeram tantas desgraças para a Humanidade.

Enfim, o problema do mal de certa forma continua ainda como algo que não tem uma resposta definitiva e cabe a cada um de nós sempre refletirmos sobre o assunto de maneira a ampliar nossos conhecimentos e tentar amenizar um pouco nossas dores.